A Revista conversou com alguns jovens e constatou que eles querem informação útil, não importa a fonte
Certa vez, um professor levou um grupo de alunos para um passeio em um jardim em forma de labirinto. Cada um deveria procurar a saída. Alguns logo conseguiram. Outros, preocupados, escutavam as vozes dos amigos que haviam encontrado um atalho em meio aos arbustos e folhagens. A sensação era a de que permaneceriam ali por toda a eternidade, mas não demorou muito até que todos descobrissem a passagem. Atividade concluída, o professor reuniu os aprendizes e, de um ponto mais alto, mostrou como o caminho — surpresa geral — era simples.
Tomando essa história como metáfora da adolescência, a escritora e psicopedagoga Cybelle Weinberg escreveu Por que estou assim? (Ed. Sá). “A sensação é igual. Uns saem numa boa, sem grandes dificuldades, e outros penam à beça”, define a autora no livro publicado há três anos. Nele, a especialista registrou as principais questões que tiram o sono de meninos e meninas. A publicação junta-se a um número crescente de livros de autoajuda para adolescentes.
O gênero, presente no mercado editorial desde os anos 1960 — época pródiga em publicações sobre autoconhecimento e sexualidade —, volta agora seus olhos para um público mais jovem. A Ediouro, por exemplo, acaba de entrar nessa seara com o lançamento de O segredo – versão teen, de Paul Harrington, diretor do filme O segredo (baseado na obra homônima de Rhonda Byrne). Segundo a editora Márcia Batista, esse é um nicho a ser desbravado. “Não sabemos como vai ser, até porque alguns livros conquistam um público maior do que imaginamos. Temos diversos títulos de autoajuda, mas para esse público específico este é o primeiro.”
No Brasil, calcula-se que 2,9 milhões de meninos e meninas, entre 14 e 17 anos, leem livros fora do segmento didático. Os romances ainda são os favoritos dessa faixa etária, correspondendo a 41% das leituras realizadas, enquanto os livros de autoajuda correspondem a apenas 9%, segundo dados de 2008 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-livro.
Os supostos benefícios proporcionados por esse tipo de literatura não são ponto pacífico. Para a psicóloga Tomásia Ticconi, que há 20 anos trabalha com adolescentes, os livros de autoajuda propõem “fórmulas” que devem ser questionadas. “Os adolescentes não querem modelos a serem seguidos, mas, sim, alguém com quem possam conversar e, por meio desse vínculo, encontrar a sua maneira de enfrentar o mundo. O importante é clarear os conflitos para que eles possam fazer suas próprias escolhas”, pondera.
Mas será que os adolescentes estão lendo autoajuda? Conversamos com Gabriela, 13 anos, Júlia e André, 15 anos, e perguntamos a quem eles recorrem para pedir conselhos e tirar dúvidas. E se livros podem ser bússolas eficientes durante esse período de incertezas.